terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da água ao Sangue.

A missão do jardineiro é sempre a mesma, ele pega seu regador todas as manhãs, Todos os dias são iguais, ele molha às flores, umedece a terra, para que as flores matem sua sede durante o dia, graças ao jardineiro, elas crescem lindas, coloridas. O jardineiro nunca cobrou um “obrigado”, um agradecimento qualquer, as flores, por sua vez, nunca deram sequer um olhar, um aceno, um sinal. Ele passa todos os dias por elas, elas não dizem nada! Apenas ficam ali esperando o jardineiro passar com seu regador. Ele as molha! Faz sua tarefa diária com todo amor do mundo. Mas de uns tempos pra cá, o jardineiro está cansado, triste por não ser reconhecido. Ele desejaria um contato um pouco maior, uma resposta ao seu trabalho, algo direcionado a ele. Diretamente.

O jardineiro entristeceu-se. Não sentia mais prazer em molhar flores. Faltava-lhe gratidão. Ele queria pertencer.

Foi à missa, católico fervoroso que era, pediu a Deus uma luz.

No caminho pra casa passou no açougue pra comprar o almoço de Domingo, na porta havia uma placa: PRECISA-SE DE AÇOUGUEIRO.

O jardineiro comprou a carne e foi pra casa pensando na idéia de mudar de profissão.

Na Segunda cedo ele não pegou seu regador, foi ao açougue trabalhar.

No lugar do regador um facão, no lugar de água, sangue. No lugar de lindas flores perfumadas ele desossava carnes.

Mas o jardineiro estava feliz, pois, ao cortar as carnes ele ouvia um MUITO OBRIGADO!

As flores estavam murchas. Sem água, sem seu amigo.
O jardineiro era reconhecido nas ruas, por seus bifes ao gosto das clientes.

Gratidão..

3 comentários:

  1. Uau!
    Este texto me deixou sem palavras... expressa tudo o que tenho sentido ultimamente!
    Bom demais te ler!!!!
    Beijos

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  2. Eitaaaaaaaaaaaaaa super forte, tem que se preparar pra aguentar a leitura, se for como eu que so consigo escrever experiencias vividas por mim, imagino a barra que tens passado... Não poderia as cores, a saúde, o perfume, a alegria e beleza das flores a recompensa do jardineiro? Mas nao pense nisso, viva o lado açogueiro de ser.

    bjO amore!

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