Hoje a vista ta diferente. Não sei se os óculos estão mais limpos que o normal, se o Sol brilha mais forte, se meu banquinho encontrou uma posição melhor... Não sei. Só sei que tem algo no ar.
Pra comemorar coloquei minha melhor roupa. Meu terno de linho branco. Meu chapéu de aba larga e meu sapato bicolor.
Passei na Pharmacia comprei uma goma Valda e esperei.
Estou sentado agora... Aguardando. Sinto o verão se aproximar e que talvez, a estação quente, traga um pouco de calor aqui dentro. Prevendo isso, coloquei a cadeira numa sombra bem gostosa e trouxe os lenços.
Vou colocar o Cartola pra tocar.
Vou esperar o bonde passar...
Vou aproveitar esse clima bom... Clima de esperança.
Vou ficar aqui... Terno branco... Lenço branco... Sapato preto e branco e rosas brancas.
Estou esperançoso... De que algo vá mudar.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Tem hora pra tudo.
Por que não posso ficar aqui quieto no meu canto, sem toc-toc, plim-plim ou “Tem alguém aí?”
Tem dias que o que a gente mais quer, é ficar assim. Sem nada. Sem ter um porquê.
Cabeça zonza, corpo mole. Vontade de ficar na cadeirinha-de-balanço-do-vovô (que nunca conheci).
Vontade de ficar aqui.
Vontade de não sei o quê também. Essa vontade é a pior. Fica aqui dentro latejando, remoendo, mas o que posso fazer? Se nem sei do que se trata?
Fui ali atravessar a rua na faixa, eu era o único. Motoristas não entenderam minha atitude. “O que aquele cara ta fazendo ali em cima daquelas linhas no chão?” disseram.
Alcancei à calçada, avistei um casal de idosos passeando com um cão (os cães sempre me adoram) o cão me olhou dum jeito bonito, eu parei e fiz carinho em sua cabeça. Ele me mordeu.
O velho disse:
-Bem feito, quem manda mexer no que ta quieto.
Continuei, sem entender e com a mão doendo. Arrastando a cadeira de balanço.
Cabeça ainda zonza, corpo mole e agora a mão doendo.
Encontrei uma sombra, posicionei a cadeira e sentei. Um pombo me deu boas vindas.
Exatidão!
Mais um cão. Fiquei quieto, completamente parado (acho que com cara de assustado).
A moça disse...
-Credo moço! Ele não morde, não precisa fazer essa cara.
Não é meu dia.
Vou arrastar a cadeira e voltar, tem dias que não é bom ficarmos no lugar de sempre.
Tem dia que é bom não usarmos a cadeira de balanço, tem noite que é bom à gente não beber.
Tem dias, tem noites e tem hora pra tudo.
[Estou percebendo que às vezes temos quer ser outros e não nós mesmos].
.
Tem dias que o que a gente mais quer, é ficar assim. Sem nada. Sem ter um porquê.
Cabeça zonza, corpo mole. Vontade de ficar na cadeirinha-de-balanço-do-vovô (que nunca conheci).
Vontade de ficar aqui.
Vontade de não sei o quê também. Essa vontade é a pior. Fica aqui dentro latejando, remoendo, mas o que posso fazer? Se nem sei do que se trata?
Fui ali atravessar a rua na faixa, eu era o único. Motoristas não entenderam minha atitude. “O que aquele cara ta fazendo ali em cima daquelas linhas no chão?” disseram.
Alcancei à calçada, avistei um casal de idosos passeando com um cão (os cães sempre me adoram) o cão me olhou dum jeito bonito, eu parei e fiz carinho em sua cabeça. Ele me mordeu.
O velho disse:
-Bem feito, quem manda mexer no que ta quieto.
Continuei, sem entender e com a mão doendo. Arrastando a cadeira de balanço.
Cabeça ainda zonza, corpo mole e agora a mão doendo.
Encontrei uma sombra, posicionei a cadeira e sentei. Um pombo me deu boas vindas.
Exatidão!
Mais um cão. Fiquei quieto, completamente parado (acho que com cara de assustado).
A moça disse...
-Credo moço! Ele não morde, não precisa fazer essa cara.
Não é meu dia.
Vou arrastar a cadeira e voltar, tem dias que não é bom ficarmos no lugar de sempre.
Tem dia que é bom não usarmos a cadeira de balanço, tem noite que é bom à gente não beber.
Tem dias, tem noites e tem hora pra tudo.
[Estou percebendo que às vezes temos quer ser outros e não nós mesmos].
.
sábado, 28 de novembro de 2009
Um saco cheio de igualdade.
Iguais... Iguais e Iguais.
De saco cheio de tanta igualdade.
Preciso urgentemente encontrar a saída de emergência disso aqui.
Tentei usar branco. Não me adaptei.
Tentei dizer um “olá” qualquer. Não obtive resposta.
Tentei bater à porta. “Entre sem bater”.
Tentei uma visita surpresa. “Não perturbe”.
Tentei tanta coisa... Mas definitivamente, não sou da mesma espécie.
Não tenho macacão.
Não faço àquele gesto característicos dos caras de macacão.
Não olho daquela mesma forma dos caras de macacão.
Não falo o que eles (os caras de macacão) falam quando você passa.
Não espere... Não falarei. Não usarei. Não olharei.
Sou assim mesmo, três gotas de adoçante.
Uma pitada de Sal.
Não sou cafeína.
Não sou sedativo.
Sou esse mesmo. Sem nada demais. Nem muito de menos.
Compreende o que digo?
Todo mundo se diverte ali, eu também. Aqui.
Não preciso ser rei, príncipe ou ter um belo macacão. Eu sou eu. Desde que nasci.
Vou sendo. Até quando puder.
Mesmo assim, [desiludido?] continuo sentado, só vendo o movimento.
Acho que vou beber uma água tônica. Preciso digerir.
.
De saco cheio de tanta igualdade.
Preciso urgentemente encontrar a saída de emergência disso aqui.
Tentei usar branco. Não me adaptei.
Tentei dizer um “olá” qualquer. Não obtive resposta.
Tentei bater à porta. “Entre sem bater”.
Tentei uma visita surpresa. “Não perturbe”.
Tentei tanta coisa... Mas definitivamente, não sou da mesma espécie.
Não tenho macacão.
Não faço àquele gesto característicos dos caras de macacão.
Não olho daquela mesma forma dos caras de macacão.
Não falo o que eles (os caras de macacão) falam quando você passa.
Não espere... Não falarei. Não usarei. Não olharei.
Sou assim mesmo, três gotas de adoçante.
Uma pitada de Sal.
Não sou cafeína.
Não sou sedativo.
Sou esse mesmo. Sem nada demais. Nem muito de menos.
Compreende o que digo?
Todo mundo se diverte ali, eu também. Aqui.
Não preciso ser rei, príncipe ou ter um belo macacão. Eu sou eu. Desde que nasci.
Vou sendo. Até quando puder.
Mesmo assim, [desiludido?] continuo sentado, só vendo o movimento.
Acho que vou beber uma água tônica. Preciso digerir.
.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Frente fria que vem lá do Sul.
Vento que vem com força!
Frente fria no calor tropical é sempre bem-vinda.
Quente de quarenta graus. Vento daqui parado. Vento que vem quente.
Na janela de sempre, com coisas vistas de sempre, sinto um ar fresco. É uma frente fria.
Frente fria que refresca.
Na ânsia de querer entender, àquilo, abri bem as janelas e esperei.
Ela veio, fazendo manha, dançando em seu próprio ritmo, seu canto era confortante.
Canto que encanta.
Cantou, refrescou, me encantei, me refresquei.
Frente fria tem dessas coisas, mudam. Gosto de mudanças.
Senti a frente fria, ela passou, me levou longe, me trouxe de volta.
Agora estou aqui, órfão da frente fria.
Carregue-me vento bom! Ta quente aqui.
Frente fria no calor tropical é sempre bem-vinda.
Quente de quarenta graus. Vento daqui parado. Vento que vem quente.
Na janela de sempre, com coisas vistas de sempre, sinto um ar fresco. É uma frente fria.
Frente fria que refresca.
Na ânsia de querer entender, àquilo, abri bem as janelas e esperei.
Ela veio, fazendo manha, dançando em seu próprio ritmo, seu canto era confortante.
Canto que encanta.
Cantou, refrescou, me encantei, me refresquei.
Frente fria tem dessas coisas, mudam. Gosto de mudanças.
Senti a frente fria, ela passou, me levou longe, me trouxe de volta.
Agora estou aqui, órfão da frente fria.
Carregue-me vento bom! Ta quente aqui.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Perdidos numa noite nem tão suja (ainda sobre São Paulo).
Sentado nas cadeiras de plástico dos bares na Paulicéia vi um monte de coisa...
Meninas bonitas bordadas de flor. Todas elas.
Rapazes, meio iguais, chave dos possantes a mão, camisas com textos em inglês, cabelo com uma onda no meio (chamam de moicano, mas nem sabem de onde vem o penteado). Só sei que é algo relacionado aos índios americanos, o Daniel Day-Lewis mostrou uma vez algo sobre...
Voltando ao assunto...
Moças bonitas (preocupadas com a sandália apertando o dedinho e com os buracos nas calçadas, salto alto, sabe como é) Andam como se estivessem marchando, cômico ver.
Moços conversam entre si, bebem long neck no gargalo fazendo estilo, fumam na calçada (lei maravilhosa), aproveitam para olhar o movimento... Delas.
Elas ficam na calçada, algumas nem fumam, mas ficam ali olhando os rapazes iguais.
Percebo que em algumas mesas, escondidas dentro do bar, alguns e algumas como eu, mas cheguei tarde e não consegui mesa lá dentro. Tive que ficar na calçada sentindo o cigarro alheio, vendo às moças olhando os moços. Claro. Nem fui notado.
Eu, minha barba, minha camisa sem nada escrito, Brahma na mesa, e chave do possante? Não tem. Fiquei ali vendo. Noite paulicéia.
Estava na Vila Madalena, totalmente perdido.
É tão bom ver essas coisas, como somos bobos né? O bar não tinha música, então eu ficava ali cantarolando, imaginado as cenas e suas respectivas trilhas.
Bebi, vi, cantei, gastei e paguei.
Quero voltar. Na próxima vez chegarei mais cedo, quero sentar ali dentro.
Meninas bonitas bordadas de flor. Todas elas.
Rapazes, meio iguais, chave dos possantes a mão, camisas com textos em inglês, cabelo com uma onda no meio (chamam de moicano, mas nem sabem de onde vem o penteado). Só sei que é algo relacionado aos índios americanos, o Daniel Day-Lewis mostrou uma vez algo sobre...
Voltando ao assunto...
Moças bonitas (preocupadas com a sandália apertando o dedinho e com os buracos nas calçadas, salto alto, sabe como é) Andam como se estivessem marchando, cômico ver.
Moços conversam entre si, bebem long neck no gargalo fazendo estilo, fumam na calçada (lei maravilhosa), aproveitam para olhar o movimento... Delas.
Elas ficam na calçada, algumas nem fumam, mas ficam ali olhando os rapazes iguais.
Percebo que em algumas mesas, escondidas dentro do bar, alguns e algumas como eu, mas cheguei tarde e não consegui mesa lá dentro. Tive que ficar na calçada sentindo o cigarro alheio, vendo às moças olhando os moços. Claro. Nem fui notado.
Eu, minha barba, minha camisa sem nada escrito, Brahma na mesa, e chave do possante? Não tem. Fiquei ali vendo. Noite paulicéia.
Estava na Vila Madalena, totalmente perdido.
É tão bom ver essas coisas, como somos bobos né? O bar não tinha música, então eu ficava ali cantarolando, imaginado as cenas e suas respectivas trilhas.
Bebi, vi, cantei, gastei e paguei.
Quero voltar. Na próxima vez chegarei mais cedo, quero sentar ali dentro.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Fale com ela
Que saco! Que vontade de te falar... Ensaiei três vezes... Mas não tive coragem.
Fui, desfui, fui de novo e retornei.
Ah meu! Não quero parecer chato. Quantas graças você não deve ouvir por dia, ou não, sei lá. Não queria dizer graça alguma, só queria te dizer que a menina do filme que vi hoje parecia muito com você! Só isso. Mas ia parecer cantada barata. Não queria que parecesse com nada. Só queria que você acreditasse nisso.
Mas nem sei se acredito em mim também.
Po! Foi muita coincidência, eu vi o filme lembrei de você, de repente você aparece assim do nada, há tempos que não aparece por aqui.
Queria um dia pelo menos ocupar dez minutos do seu tempo, queria ouvir suas idéias, queria ouvir o que tem a dizer. Mas nunca rolou.
“Por que a gente é desse jeito? Criando conceito pra tudo que restou”. Já dizia o Anitelli.
É tanta coisa! Tanto medo. Tanto “não querer ser chato” que me torno um chato de marca maior.
Prometo que vou melhorar, vou falar contigo, quando menos esperar e espero que quando mais precisar, quero chegar na hora certa, na hora agá.
Vai ser assim:
-Oi! Ocupada?
-Por acaso você já viu “Fale com Ela” Do Almodóvar?
-Não? Eu assisti esses dias, e a mocinha principal, me fez lembrar muito de você e de repente te vejo aqui, como há tempos não via. Coincidência não?...
Espero não decepcionar, comigo nem contigo. Por enquanto vou ficando por aqui, só escrevendo, qualquer dia digo pessoalmente.
Beijos...
Tchau.
Fui, desfui, fui de novo e retornei.
Ah meu! Não quero parecer chato. Quantas graças você não deve ouvir por dia, ou não, sei lá. Não queria dizer graça alguma, só queria te dizer que a menina do filme que vi hoje parecia muito com você! Só isso. Mas ia parecer cantada barata. Não queria que parecesse com nada. Só queria que você acreditasse nisso.
Mas nem sei se acredito em mim também.
Po! Foi muita coincidência, eu vi o filme lembrei de você, de repente você aparece assim do nada, há tempos que não aparece por aqui.
Queria um dia pelo menos ocupar dez minutos do seu tempo, queria ouvir suas idéias, queria ouvir o que tem a dizer. Mas nunca rolou.
“Por que a gente é desse jeito? Criando conceito pra tudo que restou”. Já dizia o Anitelli.
É tanta coisa! Tanto medo. Tanto “não querer ser chato” que me torno um chato de marca maior.
Prometo que vou melhorar, vou falar contigo, quando menos esperar e espero que quando mais precisar, quero chegar na hora certa, na hora agá.
Vai ser assim:
-Oi! Ocupada?
-Por acaso você já viu “Fale com Ela” Do Almodóvar?
-Não? Eu assisti esses dias, e a mocinha principal, me fez lembrar muito de você e de repente te vejo aqui, como há tempos não via. Coincidência não?...
Espero não decepcionar, comigo nem contigo. Por enquanto vou ficando por aqui, só escrevendo, qualquer dia digo pessoalmente.
Beijos...
Tchau.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Quem são Eles?
Deve ser triste, ver e não sentir.
Estar perto, presenciar e não conseguir entender as aflições, não participar das alegrias, não saber sorrir, não chorar.
Eles só sabem voar e nos ajudar.
Eles nos ajudam porque querem ser iguais. Ficam o tempo todo imitando a gente, sorrindo (riso sem graça), chorando (choro sem lágrima). Olham a gente lá de cima, não dormem, quando estamos dormindo, na madrugada, eles sofrem, não tem com quem conectar. Estão a sós, entregues.
Os anjos são tristes. É difícil ser anjo. Ele não escolheu estar ali, ele apenas é.
Quando choramos, eles ficam perto tentando chorar também, sofrem com cada lágrima caída, pois seus olhos estão secos, não entendem. Quando sorrimos, eles se afastam, sabem que ali, naquele momento, não precisamos deles, saem também porque não entendem o motivo daquilo. Ficam lá em cima olhando, apenas olham.
Às vezes tentam nos tocar, em vão.
Às vezes, pessoas mais sensíveis sentem algo, uma presença, e falam:
“Nossa! Senti alguém aqui”.
É nesse exato momento em que o anjo mais se aproxima da realidade, tenta ficar feliz, chora não sabe sorrir então ele tenta tudo o que vê a gente fazer.
Choro sem lágrima, ele tenta molhar os olhos, mas não consegue.
Estão sempre perto e sempre longe. Silenciosos, são nossa sombra. Gostam de ver nosso olhar, olham nos nossos olhos pra nos entenderem.
Na próxima vez que sentir alguma “presença” diga um Olá a eles, faça-os felizes.
Quando sentir alguém te olhando, certifique-se que não tenha ninguém, se não houver, pisque pra ele, ele te agradecerá. Eternamente.
Seja um anjo pro seu anjo.
Estar perto, presenciar e não conseguir entender as aflições, não participar das alegrias, não saber sorrir, não chorar.
Eles só sabem voar e nos ajudar.
Eles nos ajudam porque querem ser iguais. Ficam o tempo todo imitando a gente, sorrindo (riso sem graça), chorando (choro sem lágrima). Olham a gente lá de cima, não dormem, quando estamos dormindo, na madrugada, eles sofrem, não tem com quem conectar. Estão a sós, entregues.
Os anjos são tristes. É difícil ser anjo. Ele não escolheu estar ali, ele apenas é.
Quando choramos, eles ficam perto tentando chorar também, sofrem com cada lágrima caída, pois seus olhos estão secos, não entendem. Quando sorrimos, eles se afastam, sabem que ali, naquele momento, não precisamos deles, saem também porque não entendem o motivo daquilo. Ficam lá em cima olhando, apenas olham.
Às vezes tentam nos tocar, em vão.
Às vezes, pessoas mais sensíveis sentem algo, uma presença, e falam:
“Nossa! Senti alguém aqui”.
É nesse exato momento em que o anjo mais se aproxima da realidade, tenta ficar feliz, chora não sabe sorrir então ele tenta tudo o que vê a gente fazer.
Choro sem lágrima, ele tenta molhar os olhos, mas não consegue.
Estão sempre perto e sempre longe. Silenciosos, são nossa sombra. Gostam de ver nosso olhar, olham nos nossos olhos pra nos entenderem.
Na próxima vez que sentir alguma “presença” diga um Olá a eles, faça-os felizes.
Quando sentir alguém te olhando, certifique-se que não tenha ninguém, se não houver, pisque pra ele, ele te agradecerá. Eternamente.
Seja um anjo pro seu anjo.
Assinar:
Comentários (Atom)