Dormi errado, sono duro, pesado, estranho, sabe?
Quem trabalha à noite e chega de manhã, perde a cor do dia.
A cor da manhã fica sem cor quando a gente chega junto. Junto das cores.
Num momento, tudo é preto. Depois as cores aparecem, mas a gente não vê, quando os olhos estão acostumados a ver o preto, o nada. A gente não vê o claro, o dia.
Hoje não vi o dia.
E olha que tava colorido!
Tava normal, gente pra lá, pra cá. Ninguém observava as cores, mas elas estavam lá. Menos pra mim. Eu que vinha do escuro, da penumbra, da sombra feito gatuno.
Não vi as cores.
Agora a tarde, já é tarde. As cores da tarde são mais fracas, já são cores misturadas ao cinza, cinza do dia, da sujeira, ou cinza da noite que chega?
Perdi a cor do dia. Sempre perco, aliás. Quantas mais vou perder?
A noite vem chegando, agora sim reconheço tudo. Reconheço o cinza, o marinho, o preto. Às vezes preto fosco, às vezes brilhante, depende do dia, da noite.
Hábitos noturnos. Olhos noturnos. Sinto falta das cores vivas. Se eu vivesse em Las Vegas pelo menos.
“No outdoor luminoso a vida a mentir. Nenhuma estrela mais perto dos olhos. Ninguém.
Ecos de um rádio antigo eu pendo ouvir...”
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O dom de ser chato.
Viu? Era só isso, sem mais, nem menos. É isso!
O resto é o povo quem pinta. O resto era você querendo ver mais além.
Mas era só querer, não tinha mais nada além.
É isso, pronto, acabou, fim de papo, zero, nada, vazio, oco, isso tudo aí.
Está gostando disso tudo pouco? É pouco sim, mas é tudo.
Sé é tudo pode ser pouco né?
Meu tudo é pouco. É sim, eu sei.
Meu pouco é raso, frio, lento, isso tudo aí, que é pouco mesmo.
Não vou dizer que...
Nem pensar em...
Nem esperar por...
Não vou.
Vou ficar aqui terminando o já começado. Pensar naquele limite meu de pensamento e esperar, o suficiente pra me satisfazer.
Hoje estou bem, leve. Aquele peso foi embora, por isso estou feliz assim.
“Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom, daqui não, eu vivo a vida na ilusão entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares”.
O resto é o povo quem pinta. O resto era você querendo ver mais além.
Mas era só querer, não tinha mais nada além.
É isso, pronto, acabou, fim de papo, zero, nada, vazio, oco, isso tudo aí.
Está gostando disso tudo pouco? É pouco sim, mas é tudo.
Sé é tudo pode ser pouco né?
Meu tudo é pouco. É sim, eu sei.
Meu pouco é raso, frio, lento, isso tudo aí, que é pouco mesmo.
Não vou dizer que...
Nem pensar em...
Nem esperar por...
Não vou.
Vou ficar aqui terminando o já começado. Pensar naquele limite meu de pensamento e esperar, o suficiente pra me satisfazer.
Hoje estou bem, leve. Aquele peso foi embora, por isso estou feliz assim.
“Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom, daqui não, eu vivo a vida na ilusão entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares”.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Carta aos pais.
Deixem que eu resolva tudo por aqui. Agora é comigo.
Não se preocupem com as contas, com as plantas, com as coisas. Faço tudo direitinho.
Aproveitem, vivam, chegou à hora de vocês.
Os daqui mandam lembranças.
Pai! Fica tranqüilo, ta tudo trancado e tudo pago.
Mãe! A casa ta limpa do jeito que deixou e meu feijão é ótimo.
O irmão ta lá na dele, mandou lembranças também.
Mergulhem de cabeça no passado de vocês, revivam o que passou, sem pressa, sem medo, sem nada!
Apenas vivam.
Estou vivendo por aqui também. Adoro estar só em casa. Em casa.
A namorada é companhia fiel, ajuda no frio desse dias, ajuda a esquentar a alma e o coração, ela também manda lembranças a vocês.
Adorei saber das notícias de hoje, saber que tudo está bem e como planejado.
Não sintam vontade de voltar não ta? Aqui ta tudo do mesmo jeito, nada mudou e acho que nunca mudará.
Abracem.
Beijem.
Olhem.
Ouçam.
Façam tudo por todos aí, façam por mim também.
Quando quiserem é só ligar.
Do filho que sente saudade.
Eu!
Não se preocupem com as contas, com as plantas, com as coisas. Faço tudo direitinho.
Aproveitem, vivam, chegou à hora de vocês.
Os daqui mandam lembranças.
Pai! Fica tranqüilo, ta tudo trancado e tudo pago.
Mãe! A casa ta limpa do jeito que deixou e meu feijão é ótimo.
O irmão ta lá na dele, mandou lembranças também.
Mergulhem de cabeça no passado de vocês, revivam o que passou, sem pressa, sem medo, sem nada!
Apenas vivam.
Estou vivendo por aqui também. Adoro estar só em casa. Em casa.
A namorada é companhia fiel, ajuda no frio desse dias, ajuda a esquentar a alma e o coração, ela também manda lembranças a vocês.
Adorei saber das notícias de hoje, saber que tudo está bem e como planejado.
Não sintam vontade de voltar não ta? Aqui ta tudo do mesmo jeito, nada mudou e acho que nunca mudará.
Abracem.
Beijem.
Olhem.
Ouçam.
Façam tudo por todos aí, façam por mim também.
Quando quiserem é só ligar.
Do filho que sente saudade.
Eu!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Tempo seco esse.
Na secura desses dias eu lavei o quintal e molhei as plantas. Mas continua tudo seco.
Quero água! Não trégua, apenas água.
Passei perfume na casa, acendi um incenso pra num sei lá o quê, coloquei água pro cachorro, tudo certo e tudo pronto.
Mas tudo ainda continua seco.
Adoro doce, adoro salgado, gosto de pimenta, azeite, gosto do gosto, gosto do cheiro, gosto de quente, gelado, gosto!
Não gosto do seco, do sem gosto, do sem nada!
As coisas andam meio sem gosto.
Vou colocar sal e pimenta a gosto nesses dias secos.
Será que chove? Será que chora? Que ri?
Coloquei uma bacia de água no quarto, pinguei um treco no dariz... E aguardo uma umidade vinda daí.
Mas venha com gosto.
Com cheiro.
Com lágrima.
Com vontade.
Venha sim e assim. Se puder traga água.
Quero água! Não trégua, apenas água.
Passei perfume na casa, acendi um incenso pra num sei lá o quê, coloquei água pro cachorro, tudo certo e tudo pronto.
Mas tudo ainda continua seco.
Adoro doce, adoro salgado, gosto de pimenta, azeite, gosto do gosto, gosto do cheiro, gosto de quente, gelado, gosto!
Não gosto do seco, do sem gosto, do sem nada!
As coisas andam meio sem gosto.
Vou colocar sal e pimenta a gosto nesses dias secos.
Será que chove? Será que chora? Que ri?
Coloquei uma bacia de água no quarto, pinguei um treco no dariz... E aguardo uma umidade vinda daí.
Mas venha com gosto.
Com cheiro.
Com lágrima.
Com vontade.
Venha sim e assim. Se puder traga água.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
De cara nova.
Tem coisa nova por aqui né? Mas é só a cara mesmo, o resto continua velho...
O coração ta velho.
O olho ta velho.
O sapato...Tudo velho. Como sempre, bem velho, desbotando.
Como todo e bom velho, tenho manias... Cada dia surge uma nova.
Mania nova do velho moço? Cores.
Sim! Cores, sem viadagem ta?
Apenas manias velhas ou novas, sei lá!
Meu negócio agora é perceber cores.
Todas!
Agora vejo às pessoas e imagino uma cor. Tem gente que é marrom, não sei por quê.
Acho que enjoei de tentar perceber o ser humano como tal, agora mudei, vejo cores no lugar.
Este Outono frio, ta colorido pra mim. Percebo o céu que está mais azul que antes. As tardes estão mais laranjas que as habituais.
Pena que não tenho tantas referências de cores. Não conheço aqueles tons de nome composto, azul não sei o quê, verde num sei o que lá...
Conheço as primárias. Culpa da caixinha doze cores que já citei aqui em algum texto antigo.
Nunca tive a de 36 cores da Faber Castell. Sem condições financeiras, só conheci a simples 12 cores da LABRA.
Mas estou vendo bem... Doze cores são suficientes.
Agora com casaco de couro sou mais eu.
Eu, meu casaco de couro (de motoqueiro mesmo), minha lambreta, e as cores.
Estou mais observador. Até hoje neste dia nublado, chuvoso, vi cores por aqui.
.....♪ ♫ ♫ ♪ (assobios)
O coração ta velho.
O olho ta velho.
O sapato...Tudo velho. Como sempre, bem velho, desbotando.
Como todo e bom velho, tenho manias... Cada dia surge uma nova.
Mania nova do velho moço? Cores.
Sim! Cores, sem viadagem ta?
Apenas manias velhas ou novas, sei lá!
Meu negócio agora é perceber cores.
Todas!
Agora vejo às pessoas e imagino uma cor. Tem gente que é marrom, não sei por quê.
Acho que enjoei de tentar perceber o ser humano como tal, agora mudei, vejo cores no lugar.
Este Outono frio, ta colorido pra mim. Percebo o céu que está mais azul que antes. As tardes estão mais laranjas que as habituais.
Pena que não tenho tantas referências de cores. Não conheço aqueles tons de nome composto, azul não sei o quê, verde num sei o que lá...
Conheço as primárias. Culpa da caixinha doze cores que já citei aqui em algum texto antigo.
Nunca tive a de 36 cores da Faber Castell. Sem condições financeiras, só conheci a simples 12 cores da LABRA.
Mas estou vendo bem... Doze cores são suficientes.
Agora com casaco de couro sou mais eu.
Eu, meu casaco de couro (de motoqueiro mesmo), minha lambreta, e as cores.
Estou mais observador. Até hoje neste dia nublado, chuvoso, vi cores por aqui.
.....♪ ♫ ♫ ♪ (assobios)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Jovens Tardes de Domingo (sobre mudanças)
-Ói ali! Não é o...
- Putz! É ele mesmo... Caramba! Quanto tempo.
-Nossa! Ta meio diferente né?
- Tirou a barba é isso...
-Não po! Ele nunca teve barba! Devem ser os óculos! Mudou a armação!
- Podes crê! Os óculos!! Olha lá... Quer apostar que vai entrar no sebo?
-hahaha!! Se entrar no sebo quer dizer que ele não mudou muito!
-Mudar muito não mudou mesmo, olha a roupa? Opa!! Entrou, bingo!
-Caramba! Que barato, o tempo não passou pra ele... Será que ele ainda mora lá na..
-Com certeza cara! Não mudaria dali!
- Casa estranha la né? Parecia um castelo, eu gostava quando nos reuníamos lá!
- Eu também! “Velhos tempos, belos dias” Como diria Roberto!
- Será que ele ainda namora a...
- Não po! A... Casou! Há tempos!
-Não sabia! Olha lá! Saiu! Comprou livros!
-Chame ele...
-Eu não! Chame você,... Tenho medo!
-Porra! Medo de que cara?
-Sei lá! Das mudanças todas!
- Agora é tarde! Pegou ônibus!
-Poxa! O que será que ele faz? Fez? Era superbacana! Lembra daquele dia que ele falou que...
-Lembro pô! Quase morremos de rir...
- Que legal! Saudades..
- É! Velhos tempos, belos dias.
- Putz! É ele mesmo... Caramba! Quanto tempo.
-Nossa! Ta meio diferente né?
- Tirou a barba é isso...
-Não po! Ele nunca teve barba! Devem ser os óculos! Mudou a armação!
- Podes crê! Os óculos!! Olha lá... Quer apostar que vai entrar no sebo?
-hahaha!! Se entrar no sebo quer dizer que ele não mudou muito!
-Mudar muito não mudou mesmo, olha a roupa? Opa!! Entrou, bingo!
-Caramba! Que barato, o tempo não passou pra ele... Será que ele ainda mora lá na..
-Com certeza cara! Não mudaria dali!
- Casa estranha la né? Parecia um castelo, eu gostava quando nos reuníamos lá!
- Eu também! “Velhos tempos, belos dias” Como diria Roberto!
- Será que ele ainda namora a...
- Não po! A... Casou! Há tempos!
-Não sabia! Olha lá! Saiu! Comprou livros!
-Chame ele...
-Eu não! Chame você,... Tenho medo!
-Porra! Medo de que cara?
-Sei lá! Das mudanças todas!
- Agora é tarde! Pegou ônibus!
-Poxa! O que será que ele faz? Fez? Era superbacana! Lembra daquele dia que ele falou que...
-Lembro pô! Quase morremos de rir...
- Que legal! Saudades..
- É! Velhos tempos, belos dias.
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